As variadas expressões do feminino no filme Mulher-Maravilha: uma análise mitológico-astrológica I

Parte 1 – Lilith, Vênus e Lua em conversa

Três trígonos marcavam o céu com seu fluxo de energia harmônica em 15 de maio de 2017: Vênus em Áries (10°13) triangulava com Lilith em Sagitário (10°05); Urano em Áries (26°10) conversava com Saturno em Sagitário (26°38); e Marte em Gêmeos (16°08) formava um trígono com Júpiter em Libra (14°11). O poder de um feminino livre expresso por meio de uma produção cultural e artística; a inovação das tendências políticas contemporâneas em acordo com a estrutura tradicional mítica das sociedades; e a ação comunicativa para assegurar equilíbrio e harmonia entre os diferentes são possibilidades de interpretação dessas configurações.

Esses três aspectos podem, em boa medida, resumir alguns pontos essenciais do primeiro filme de uma super-heroína dirigido por uma mulher: Mulher-Maravilha, que estreou em Xangai nesta data e duas semanas depois nos Estados Unidos e no Brasil. Estrelado pela atriz israelense Gal Gadot, o filme dirigido por Patty Jenkins foi produzido pela DC Films a partir da personagem homônima das histórias em quadrinhos[1]

A imagem inicial do filme nos mostra o planeta Terra, envolto pelas nuvens de sua atmosfera, provavelmente visto da Lua. Nesse sentido, algumas das personagens já estão sendo apresentadas: GAIA, a Terra, e a LUA, duas perfeitas representantes do feminino, não apenas em variadas mitologias humanas, mas também na Astrologia. A voz que ouvimos enquanto a câmera se aproxima da cidade de Paris é de Diana Prince, a personagem principal, que vemos pela primeira vez entrando no Museu do Louvre, onde trabalha.

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NASA/Goddard/Arizona State University
Taken by: Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO)
Date: October 12, 2015

Imagem Lilithiana

Enquanto nos diz que a Terra é um lugar lindo e que precisa ser salvo de quaisquer ameaças, Diana nos é apresentada com um andar decidido, vestindo um longo casaco vermelho, que parece uma capa, e botas pretas de salto agulha. O cabelo castanho está preso num rabo-de-cavalo e o requinte da roupa se junta ao refinamento do ambiente de trabalho da personagem: um museu famoso, um lugar de conhecimento e tradição, um dos mais importantes guardiões da História humana.

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Cena inicial do filme. Tom Lorenzo Site.

Ao chegar a sua sala, recebe um pacote de um assistente e encontra nele uma fotografia que lhe desperta várias recordações. A primeira imagem que temos dela, portanto, é de uma verdadeira LILITH[2]. Ativa, intelectual, bonita, atraente, refinada, poderosa. E conectada com a memória, com a história da humanidade, com o conhecimento. Como ressalta Delphine Jay, “simbolicamente, Lilith representa a mulher liberada que é responsiva à unidade social” (2010, p.45), tendo uma influência claramente positiva para a liberação estética, mental e criativa.

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Diana recebe a fotografia dentro de uma valise. Cena do filme.

Ainda segundo Jay, Lilith descreve as necessidades impessoais do Self Coletivo e o ponto onde ela está no mapa produz “fascinação” (Jay, 2010, p.45), nos outros e em nós mesmos. De muitas formas, a imagem inicial de Diana neste filme está de acordo com o trígono entre Vênus e Lilith da data de lançamento: a heroína é bela, revela equilíbrio e harmonia, além de senso de dever por suas palavras e ações. Ao mesmo tempo, o vermelho destaca a qualidade de Fogo dos signos onde os planetas estão posicionados: Vênus em Áries e Lilith em Sagitário. Assertividade, iniciativa, pioneirismo, agilidade, força, coragem, altos ideais, metas de longo prazo, posicionamento político e filosófico bastante forte. Todas essas características, que perceberemos na personagem ao longo do filme, podemos intuir por essa breve apresentação.

Inexperiência da atriz

Interessante lembrar que as críticas feitas à escolha da atriz Gal Gadot antes do lançamento do filme foram variadas e incluíam sua falta de experiência em grandes papéis e o fato de ter atuado antes como modelo e ser ex-miss, ex-recruta do exército israelense e ex-estudante de Direito. Segundo Natália Bridi, do site Omelete, a “desconfiança” foi desfeita na estreia da personagem em “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça”, filme anterior da franquia. “Forte, feminina e cativante, a Mulher-Maravilha finalmente ganhava uma representação nos cinemas, 75 anos depois da sua estreia nos quadrinhos. Era hora de dar o próximo passo: o filme solo”, complementa.

O crítico de cinema brasileiro Pablo Villaça também ressaltou em artigo no blog “Cinema em Cena” que, apesar de iniciante, Gal Gadot surpreendeu ao encarnar Diana.  “Comprovando que, ainda que se mostre limitada como atriz, Gal Gadot possui carisma e uma intensidade que conferem convicção e uma importante pureza a Diana”, escreve. Ele complementa ainda que, apesar de ser um filme de ação, Mulher-Maravilha não se preocupa com as cenas elaboradas de lutas e perseguições, já que a habilidade de Diana como guerreira “é apenas uma das virtudes da heroína”.

Não temos o horário exato para cálculo do mapa natal de Gal Gadot Varsano, nascida em 30 de abril de 1985 na cidade de Petah Tikva, em Israel. Mesmo assim, é interessante perceber como alguns posicionamentos planetários ocorridos no dia da estreia do filme se relacionam com o mapa natal da atriz.

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Mapa Natal de Gal Gadot, sem horário de nascimento, e trânsitos da estréia do filme em 15 de maio de 2017.

Lançamento do filme

No dia 15 de maio de 2017, Marte estava em Gêmeos (16°08) e fazia oposição para o Urano natal em Sagitário (17°23) e um trígono para o Júpiter em Aquário (15°02) da atriz. A ação comunicativa representada pelo filme, com a consequente troca de informações suscitada por ele e a curiosidade geral sobre o resultado atuavam em harmonia com a necessidade de expansão coletiva. É provável que o lançamento da película tenha atraído muito mais atenção para Gal Gadot – uma mulher acostumada a ser notada por sua atividade profissional – e tenha provocando insights pessoais nas metas de vida e posicionamentos dela própria (Urano sagitariano).

Urano e Mercúrio transitavam em Áries (26°10 e 29°01, respectivamente), fazendo uma conjunção com a Lilith ariana da atriz (26°24). Jay relembra que as pessoas com Lilith em Áries são compelidas a inovar e as iniciativas que tomam em suas carreiras parecem sem limites. Alto poder de decisão, assertividade e força aplicadas ao trabalho, além de poder competitivo parecem ser inesgotáveis, segundo Jay. Os direitos individuais são considerados essenciais e respostas automáticas surgem quando eles são ameaçados. Uma possibilidade é que essas características, que fazem parte da personagem Diana, possam ter sido espontaneamente assumidas por Gal, uma vez que também estão presentes em sua carta natal.

O sol taurino (24°22) fazia uma oposição com o Saturno em Escorpião (25°58) da carta e a Lua, que transitava por Capricórnio (9°06), compunha um trígono com o Sol natal, também em Touro (9°58), e com a Lua natal em Virgem (8°). As energias harmônicas emocionais e da consciência da carta estavam sendo iluminados pela energia da Lua no céu, liberando emoções e a representação de uma personalidade acolhedora, estável e bastante conectada com a natureza – características marcantes também na personagem. Além disso, as limitações escorpianas, isto é, as motivações inconscientes estavam recebendo um influxo solar que pode ter lhes deixado mais claras e óbvias.

Sucesso, dinheiro e fama obtidos por meio da beleza física e do reconhecimento de sua atuação como atriz, provavelmente, são motivações bastante taurinas trazidas à consciência no caso da atriz. Para Gal, encarnar a princesa das Amazonas, Diana Prince, trouxe solidez, conforto, riqueza e admiração em termos globais. Nada mal para uma mulher com o Nodo Norte em Touro: ela assumiu a missão de trazer novamente à vida – mesmo que apenas simbólica – o arquétipo lilithiano das Amazonas, a força e a liberdade de um feminino não submetido à autoridade masculina em nenhuma esfera.

P.S. Este é o primeiro de cinco posts analíticos sobre o filme Mulher-Maravilha.

Referências

JAY, Delphine Gloria. Interpreting Lilith. 10ª ed.  Tempe/AZ: American Federation of Astrologers, 2010.

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[1] A personagem Mulher-Maravilha foi criada pelo psicólogo norte-americano William Moulton Marston, que se declarava feminista. A primeira história foi lançada em 8 de dezembro de 1941 na revista All Star Comics #8. O desenho era de Harry George Peter. Com o sucesso alcançado, Mulher-Maravilha ganhou uma revista própria em 1942.

[2] Astrologicamente, Lilith, ou Lua Negra, é um ponto calculado a partir do posicionamento da Lua no céu e que indica o lugar na mandala onde está concentrada a nossa força feminina instintiva, rebelde e incontrolável. Mitologicamente, Lilith foi a primeira mulher de Adão, criada conjuntamente com ele no Ser Humano Primordial.

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