Saturno & Lilith – Paradoxo essencial a serviço do desenvolvimento psíquico III

O Feminino Selvagem – Lilith

A primeira vez que ouvi falar de Lilith, durante uma aula de Astrologia que tratou do tema, despertou imediatamente o meu interesse por esse ponto do mapa natal. Como já mencionei antes, fui fisgada pelo arquétipo e por sua complexidade.

A Lua Negra – outro nome atribuído a ela – nada mais é do que um ponto astrológico, referente ao apogeu lunar, e calculado a partir da posição da Lua na configuração astral. Durante algum tempo especulou-se sobre sua existência real como um planeta, asteroide ou um segundo satélite natural da Terra.

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Lua Negra. Photo by Avery Lewis on Unsplash

Mitologicamente, contudo, a história não é menos complicada. Lilith teria sido a primeira mulher de Adão, anterior a Eva. Criada em conjunto no que ficou conhecido como “homem primordial”, Lilith era uma parte desse humano divino, isto é, a essência feminina desse ser que foi separada fisicamente dele por Deus. Interessante ainda esclarecer que o próprio Adão teria pedido pela separação, por se sentir solitário sendo uno e não poder ter relações sexuais como os outros animais. Por ter sido criada à imagem de Deus, assim como Adão, Lilith exigiu um tratamento igualitário e não teria aceito ficar por baixo durante o coito. Adão não aceitou a imposição dessas condições por ela, que, para fugir dessa situação de humilhação e submissão, foi para o deserto, onde se uniu a Lúcifer e passou a constituir um demônio ameaçador para a humanidade.

Historicamente, Hurwitz destaca que o mito de Lilith faz parte da tradição judaica e também da suméria, assim como babilônica, mas somente entre os judeus durou tanto tempo e se manteve com tanta força. O autor esclarece que o arquétipo da Grande Fêmea inclui a grande mãe e a Anima, e Lilith representa esse arquétipo, por ser uma figura mitológica da deusa divina e sedutora dos homens e/ou matadora e sequestradora de crianças. Como esse mito se reflete na psique dos sujeitos contemporâneos, traduz um problema universal, segundo Hurwitz: a confrontação com o feminino sombrio.

Ao longo do tempo, Lilith foi se tornando uma figura bipolar: anima sedutora X mãe terrível. Mas isso não era o comum nas mitologias antigas, nas quais os dois traços compunham a figura da deusa de uma forma mais integral no pensamento arcaico. Quando se amplia a consciência dessas características é que elas passam a aparecer separadamente (Hurwitz, 2012, pos. 4000-4040), esclarece Hurwitz.

De qualquer forma, a tradição talmúdica-rabínica percebia essa figura como perigosa e demoníaca, o que se conecta com a atitude patriarcal do Judaísmo de perceber o feminino como algo sempre ameaçador (Hurwitz, 2012, pos. 1644). Como uma consequência disso, prossegue o autor, na tradição ocidental do Cristianismo e do Judaísmo, o feminino não foi apenas desvalorizado, mas demonizado a partir de uma atitude extremamente defensiva.

 

Sicuteri, por sua vez, informa que o mito contém, resumidamente, todo o processo histórico de repressão das características atribuídas a esse feminino selvagem – ou, numa perspectiva psicológica, ao inconsciente profundo.

Nesta mensagem está oculto o drama de Lilith. Os “prazeres do corpo” negados são a testemunha de uma ofensa arcaica à natureza do homem e é a primeira violência feita à mulher. Lilith, que se “alegrara” indo de encontro ao homem com timidez e amor, olhando confiante no fundo de seus olhos, recebe em resposta uma rígida projeção defensiva, um desprezo cheio de angústia, um desdém que produzirá raiva e cegueira em relação àquela que tem somente “culpa” de ter feito conhecer o Amor, de ter sido apresentada ao homem como sua igual e semelhante, divina ela também. O homem, portanto, não reconheceu como sua a felicidade de ter corpo e sexo, espírito e alma fundidos numa só entidade. Lilith, corpo e alma, foi julgada “fonte de toda injustiça” e mensageira do ilícito (Sicuteri, 1990, p. 51).

Fêmea misteriosa

Apesar da aparente singeleza do seu cálculo astrológico, portanto, a representação simbólica despertada por Lilith tornou-se rapidamente um foco da minha atenção e curiosidade, enquanto pesquisadora, astróloga e mulher. Provavelmente, não há coincidência no fato de o meu interesse por esse arquétipo ter aumentado à medida que o estudo e as leituras se sucediam. Tampouco é uma questão fortuita ou secundária o fato de eu ter escolhido justamente a confrontação desse tema com a imagem saturnina arquetípica para reflexão presente neste trabalho.

Para uma feminista, o encontro com o arquétipo do “feminino selvagem”, “espírito das profundezas” ou “fêmea misteriosa” que, historicamente, tem desafiado a racionalidade patriarcal não poderia ter outro desfecho: fascínio desenfreado, percebido com maior clareza durante a análise do meu próprio mapa natal. Lilith encontra-se no último grau de Touro, em conjunção com o meu Ascendente (orbe de 4º). É, portanto, o primeiro arquétipo/planeta da minha Casa I. Para descrever a sensação que o encontro com Lilith provocou em mim, preciso recorrer às palavras de Engelhard:

Lilith, portanto, está sempre se (re)atualizando na busca de reequilibrar, dentro do self cultural, os desvios unilaterais causados ao subjetivo, ao intuitivo, pela força repressora do dinamismo patriarcal. Ela irrompe como um vulcão, que lança suas lavas incandescentes e sua fumaça negra a grandes distâncias, causando espanto, abalo, sofrimento, medo e dor, provocando um raro espetáculo de beleza e temor, mas também renovando, transformando e fertilizando o mundo ao seu redor, removendo o que oprime e paralisa (Engelhard, 1997, p. 30).

Trata-se, deste modo, de um arquétipo incômodo e difícil de apreender, que continua me desafiando desde o primeiro encontro, especialmente nas minhas tentativas de interpretação/ integração de sua presença no meu mundo inconsciente. O que se apresentou, inicialmente, como uma sensação subjetiva de inadequação – onde é que a representação de Lilith encontra lugar dentro de mim? – passou a ter, adicionalmente, uma conceituação teórica após as horas destinadas à leitura dos trabalhos realizados sobre o assunto.

Anima Divina?

Se Lilith, como destaca Hurwitz (Hurwitz, 2012, pos. 2855), acaba provocando a separação entre o feminino (Shekhinah) e o divino, isto é, uma divisão entre mente e emoção (em termos psicológicos), nada mais natural que haja dificuldade na apreensão do significado cultural e interno deste arquétipo. De qualquer modo, a tarefa precisa ser realizada, como lembra Koltuv (Koltuv, 1986, pos. 92), pois o conhecimento do lado sombrio do feminino é necessário para o homem construir seu ego, criar uma fortaleza para sua consciência e personalidade. Apesar de suas críticas ao trabalho de Koltuv, Hurwitz concorda em uma questão essencial para a reflexão que faço neste trabalho: é preciso, de um ponto de vista psicológico, integrar os conteúdos do arquétipo de Lilith para que haja crescimento psíquico. Equiparando o arquétipo ao conceito junguiano de Anima[1], ambos os autores afirmam a importância do processo de trazer Lilith à consciência, para integrá-la à experiência vivida.

Em termos psicológicos, segundo Hurwitz, a Anima sempre tenta se aproximar dos homens, isto é, penetrar na consciência que ela sente que precisa absorvê-la. Somente assim, ao ser aceita por uma consciência receptiva e em prontidão, a Anima pode ser liberada e transformada. Quando o sujeito não consegue integrá-la à consciência, não há crescimento psíquico, e tanto consciente quanto inconsciente ficam estagnados. Lilith permanece instintiva e o homem aterrorizado de encontrá-la e ser dominado por ela (Hurwitz, 2012, pos. 4075-4107), o que pode acontecer na forma de projeção na parceira.

anima sedutora
Representação da Anima Sedutora

Como ressalta Koltuv, Lilith é o nível instintivo, primal de vida, aspecto biológico, vital. É o aspecto terreno da feminilidade, natural, sexual, aquele estado pulsante e esfomeado que acomete as mulheres antes de sua menstruação, quando os hormônios masculinos estão no ápice (Koltuv, 1986, pos. 142). Ela tem sua origem no caos, é uma força de contenção, um fator de equilíbrio, uma oposição e uma igualdade à bondade e à maldade divinas.

De um ponto de vista mitológico, Lilith é a qualidade feminina rejeitada por Deus e expulsa dos céus. Os dois pares de complementares são Deus-Shekhina/ Diabo-Lilith. Lilith é, portanto, a noiva do diabo. Para os homens, aparece como um demônio sedutor, enquanto as mulheres a experimentam como sua própria sombra escura, casada com o demônio. Conhecer Lilith e seu consorte permite a integração da personalidade, do próprio SELF (Koltuv, 1986, pos. 114). Em outros termos, sua energia deriva da diminuição da Lua, de seu ressentimento, da noite (Koltuv, 1986, pos. 92). Do inconsciente, submetido ao consciente que luta para reprimir e recalcar esses conteúdos instintivos presentes na psique.

É interessante mencionar o raciocínio de Sicuteri sobre o processo histórico de constituição do mito de Lilith e sua relação com a divindade lunar, especialmente em sociedades arcaicas. A aparente conexão entre os conteúdos mitológicos e astrológicos pode muito bem ser explicada a partir desse argumento.

E, frente a esta deusa Lua, o homem sente-se revivendo a história arcaica de Adão. Um lado desta divindade, desta “mulher sagrada” não é bom, não se manifesta, assim se recusa a ser vista, foge do céu, se esconde ou — pior — se rebela. Bem, o homem que contemplava a lua no grande céu árabe ou egípcio, que a vivia com seus próprios olhos e em seu coração através do culto, como reagia ele quando a última fase da lua exígua acelerava-se rumo ao horizonte para não reaparecer mais a não ser após dias e noites sem luar? Ele reagia com espanto e até mesmo pânico. Provavelmente, é o mesmo tipo de reação do primeiro Adão diante do desaparecimento de Lilith: uma real e verdadeira crise de abandono, uma angústia de separação inacalmável. (…)

Como Lilith fugiu do Éden deixando uma mensagem de rancor e ódio, assim a deusa Lua “foge” do céu e se faz negra, isto é, vingativa e irritada. E o homem, da terra onde se sente confinado e dominado, tenta diminuir a pressão da angústia exorcizando a lua ausente. Aquilo que não se vê não constitui problema. Sem dúvida, mas também: aquilo que não se vê age sorrateiramente. Ora, é na religião grega que encontramos o exemplo mais frisante de mudança de um aspecto para outro na Lua (Sicuteri, 1990, p. 33-34).

Com ele concorda Hurwitz, ao destacar que o medo do desconhecido e alheio representado pelo feminino faz com que a mentalidade patriarcal tente dominá-lo, primeiro, desvalorizando todas as suas manifestações, e depois tentando subjugá-lo e reprimi-lo. Nesse sentido, no cenário mitológico, tanto o Mar Vermelho, quanto o deserto – para onde Lilith vai após sua disputa com Adão – simbolizam o inconsciente, com seu caráter ambivalente: o local de origem e o desejo de escapar dele (Hurwitz, 2012, pos. 3585).

Simbologia contemporânea

Após o detalhamento das origens históricas do mito, Hurwitz prossegue em sua análise questionando o que este símbolo significa para o homem ou a mulher contemporâneos. O que significa a confrontação com o feminino sombrio para as pessoas hoje em dia? (Hurwitz, 2012, pos. 4218), pergunta. Para ele, o encontro de um homem com sua Anima pode ter consequências positivas ou desastrosas. Ou ela é absorvida pela consciência masculina e se integra a ela, ou o homem se torna escravo da anima, o que resulta na sua possessão por ela e na desintegração do ego. Por conta da supressão total desse mito ao longo dos tempos, pelas diversas culturas patriarcais, o autor afirma que os aspectos sombrios de Lilith foram tão enfatizados que ela não tem mais como ser integrada sem algum grau de terror. “A maioria de nós não consegue nem olhar para ela, quanto mais absorvê-la conscientemente” (Hurwitz, 2012, pos. 4075), sugere.

Apesar das dificuldades de realizar esse movimento para sujeitos submetidos a culturas patriarcais como as contemporâneas, Hurwitz insiste na necessidade desse processo de confrontação com o feminino sombrio, que aborda o homem externamente como uma mulher ou internamente como a Anima, e que se aproxima externamente da mulher como uma figura sombria e internamente como as suas próprias forças autodestrutivas[2]. Segundo ele, isso significa uma oportunidade de desenvolvimento da consciência (Hurwitz, 2012, pos. 4253).

Sicuteri, em sua análise histórica do processo mitológico presente na figura de Lilith, destaca alguns motivos para a perseguição patriarcal ao feminino nas diferentes culturas e tradições. Segundo ele, seria impossível para os homens compreenderem esse aspecto da psique, uma vez que a feminilidade conhece de dentro; quase nunca a partir de fora, pois traz em si, no próprio ventre — em sentido estrito e metafórico — a mais profunda experiência vital, e permanece numa perene, indissolúvel união com sua criatura” (Sicuteri, 1990).

O perigoso, para o homem, aquele perigo psicológico vivido como ardil e invasão e já encontrado na imagem jâmbica de Horácio: a mulher que pode induzir o homem à própria vontade, que lhe está por cima, a cavalo. Uma insustentável imposição para o macho. É ainda, repetitiva e forçada, a rejeição agressiva de Lilith. Em consequência, a mulher opera na imaginação a mais cruel desforra combatida com a exasperada sublimação religiosa e com a desdenhosa razão do homem, a Anima enquanto “mulher” e totalidade de energia vital e, por isso, esfera potentemente instintiva e criativa volta a representar o conto, a protestar, a exigir resposta a sua dolorosa pergunta: “Por que me dizes não? Não somos iguais? Não sou eu igual a ti?”.

E assim chegaram as bruxas (Sicuteri, 1990, p. 61).

Também Engelhard lembra que a Bruxa foi a mais “gritante” personificação de Lilith que o homem já criou, em um momento histórico – a Idade Média – em que os instintos naturais passaram a ser obsessiva e sanguinariamente reprimidos e perseguidos (Engelhard, 1997, p.31). Segundo a autora, em concordância com Sicuteri, o mito de Lilith representa o nível mais antigo e primordial do arquétipo da relação homem-mulher, exatamente por trazer à tona elementos inconscientes e instintivos do humano.

Lilith é esta mulher da primeira vez, que cheia de saliva e sangue, assusta Adão. Esse sangue se relaciona ao aspecto fisiológico, vital, instintivo do ser feminino, o seu aspecto carnal, o sangue menstrual. É a sexualidade livre de tabus e proibições, que pode ser vivida mesmo durante o período menstrual. Quanto à saliva, é uma secreção erótica de caráter claramente sexual, que se extravasa no beijo profundo, essa troca espiritual, vital entre os seres (Engelhard, 1997, p. 32).

Razão X instinto

A fissura entre opostos, representada pelo embate entre razão e instinto, e a perseguição de todos os sinais que revelem este último, transparece no movimento psíquico de trazer as figuras arquetípicas à consciência, segundo Hurwitz. Exibindo contrastes inerentes à sua natureza, quando o processo de trazer essas figuras à consciência se realiza, os opostos se separam na análise. A consciência, segundo o autor, sempre tenta compensar o inconsciente: se a imagem consciente da mãe é muito luminosa, a imagem inconsciente dela será sombria, terrível e devoradora, e vice-versa (Hurwitz, 2012, pos. 3029). O medo de um feminino igualmente poderoso seria, portanto, uma etapa do processo evolutivo “normal” ou esperado da emergência da consciência humana? Haveria, neste sentido, o medo de ser engolido novamente pelo inconsciente?

Para Hurwitz, o processo de desenvolvimento da consciência tem três fases:

1) a primeira resulta da diferenciação dos arquétipos individuais dentro do mar do inconsciente coletivo – por exemplo, quando surge a referência pessoal da Grande Mãe;

2) a segunda resulta da separação de certos aspectos do arquétipo – por exemplo, quando a anima se separa da imagem do arquétipo da mãe. Somente quando alguém se separa da mãe é que pode encontrar sua anima;

3) na terceira fase, os opostos podem ser vistos dentro dos arquétipos – por exemplo, a Grande Mãe é nutridora, boa, cuidadora, mas também terrível, devoradora (Hurwitz, 2012, pos. 4040). Algo mais próximo, portanto, da complexidade representada pelo arquétipo na atualidade.

Em relação a isso, é interessante trazer, neste ponto, a reflexão de Sicuteri sobre o movimento contemporâneo de recuperação do mito de Lilith pela psicologia, segundo o qual a separação de masculino e feminino é entendida como ruptura da originária unidade paritária, “justo quando o homem irracional se decide a enfrentar a descida no próprio inconsciente e o explora não em nome do Pai e da Lei, mas em nome do Si Mesmo e da Centroversão, no itinerário rumo à nova consciência, onde será oportuna a soldadura da polaridade” (Sicuteri, 1990, p. 78). Em alguma medida, portanto, estaríamos, enquanto humanidade, próximos de iniciar a terceira fase proposta por Hurwitz.

Segundo o argumento desses autores, assim como indica Koltuv, é necessário trazer Lilith à consciência por meio de perguntas, com o objetivo final de se manter longe da possessão por ela, pois a supressão de Lilith pode ser devastadora para o indivíduo (Koltuv, 1986, p. 1190). Afinal, como prossegue Koltuv ao mencionar o mito bíblico, é a sabedoria salomônica que redime Lilith, espelhando o divino e o demoníaco feminino. Ela não pode ser expulsa, ela precisa ser chamada, conhecida e aceita conscientemente, pois é necessário que haja um encontro completo entre as forças do masculino e do feminino na consciência (Koltuv, 1986, p. 1218).

Koltuv destaca ainda que, em termos da individuação feminina, Lilith tem um poder igual ao das forças de Deus. O encontro entre Lilith e os três anjos enviados por Jeová para convencê-la a retornar do deserto onde se exila depois do conflito com Adão acaba numa infinita interação entre as forças de cima e de baixo, entre os poderes masculino e feminino. Lilith seria, portanto, “a anima vingativa de Deus, a sombra divina, e retém boa parte dos poderes ancestrais da Deusa sobre o nascimento, a vida e a morte” (Koltuv, 1986, pos. 1318).

lilith lua

Ela não pode ser banida nem mesmo por Deus, segundo todas as fábulas, mas pode ser controlada e mantida longe por meio do conhecimento completo e consciente de seus nomes e da compreensão de sua natureza sombria feminina. Afinal, as qualidades de Lilith rejeitadas pelas culturas patriarcais são importantes para integração dos seres humanos com sua natureza primordial e instintiva:

1) consciência lunar (tempo de nascimento e tempo de morte);

2) corpo, instintividade e sexualidade;

3) conhecimento interno profético e experiência acima da lógica ou da lei;

4) Deus como mãe-criadora, natureza divina e espiritual (Koltuv, 1986, pos. 1436).

Em grande medida e paradoxalmente, portanto, são exatamente essas características suprimidas e censuradas da psique por religiões de cunho patriarcal que nos fazem divinamente humanos, à semelhança Del@.

 

Referências

ENGELHARD, Suely. O renascer de Lilith. Junguiana. Revista Brasileira de Psicologia Analítica. Nº 15, dez. 1997, p. 28-41.

HURWITZ, Siegmund. Lilith – The first Eve. Historical and Psychological Aspects of the Dark Feminine. Zurich/ Switzerland: Daimon Verlag, 2012.

JACOBS, Tom. Lilith: Healing the Wild. GNU Free Documentation License, 2008.

KOLTUV, Barbara Black. The Book of Lilith. Lake Worth/FL: Nicolas-Hays, 1986.

SICUTERI, Roberto. LilithA Lua Negra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

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[1] Segundo Jung, Anima é a representação do feminino na consciência masculina.

[2] Em sua reflexão, Hurwitz afirma que o confronto com Lilith pode ser mais perigoso para uma mulher do que para um homem, uma vez que sombra da mãe terrível, que geralmente é o arquétipo mobilizado na psique feminina, seria menos maleável do que o arquétipo da Anima, mobilizada pelos homens. Na falta de mais estudos e de conhecimentos aprofundados sobre o tema, prefiro não comentar esse ponto.

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