Como iniciar o Ano Novo Astrológico em tempos de Coronavírus

Nesta sexta-feira, 20 de março, às 0h49 no horário de Brasília, o Sol alcança o grau Zero de Áries e inicia um novo ano astrológico, no fenômeno conhecido como equinócio de Outono no Hemisfério Sul, Primavera no Norte. Nesse momento, o dia e a noite têm a mesma duração, pois o Sol atravessa o Equador em sua órbita celeste. A partir daí, os dias ficam menores no Sul e maiores no Norte.

O mapa do Ano Novo Astrológico para o Brasil traz um Ascendente capricorniano, indicando que há muito por fazer, muitas responsabilidades por assumir, um longo caminho a percorrer que demandará esforço e disciplina de nossa parte.

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Pode haver alguma preponderância das autoridades e dos mais velhos, e isso fica muito óbvio quando paramos para analisar as questões relacionadas à pandemia do Coronavírus (COVID-19). Afinal, líderes de várias partes do mundo – e especialmente, dentro do Brasil – estão sendo criticados pelas medidas pouco eficazes implementadas até aqui. Além disso, o vírus é bastante mais agressivo com a população acima dos 60 anos.

O tom capricorniano do mapa é enfatizado pela conjunção de Marte-Júpiter-Plutão nesse signo, já na primeira casa, acompanhados a certa distância de Saturno, que se prepara para deixar Capricórnio nos próximos dias. Ação e iniciativa podem se expandir, podemos materializar formas de crescimento, podemos ser chamados a amadurecer e a enfrentar nossas sombras e nossa pulsão de morte nesse ano que começa.

Limites, contenção, quarentena, isolamento, melancolia, solidão, falta de mobilidade são temas afeitos a Saturno que estão enfatizados em todo o mundo e parecem fazer parte da identidade desse novo ano que começa. Não adianta reclamar: será necessário lidar com responsabilidade com a situação. Podemos nos sentir fracos, podemos ser limitados por quem tem mais poder que nós. Mas, provavelmente, sairemos melhores desse desafio.

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Ruas de Nova York vazias devido à pandemia do Corona Vírus. Foto de John Taggart, The New York Times.

A pandemia colocou em alerta os governos ao redor do mundo, e a principal recomendação para evitar o agravamento e o maior número de mortes por conta do rápido contágio é o afastamento social, o isolamento. Existe algo mais saturnino do que ruas de cidades vazias, com pessoas amedrontadas dentro de casa, buscando atividades para fazer o tempo passar?

(Confesso que a perspectiva da quarentena, neste momento, se mostra desafiadora, mas ao mesmo tempo me abre possibilidades de ação que tenho achado bastante interessantes. Obviamente, falo de um lugar de privilégio da classe média, e me assusta perceber que a maioria dos brasileiros não tem condições de realmente se afastar do convívio social, especialmente por questões de sobrevivência.)

Ruptura e inovações

A entrada de Saturno em Aquário à 1h de domingo, 22 de março, pode trazer uma alteração sensível para o cenário da pandemia. O interesse coletivo estará em alta e é possível que surjam novas invenções, que haja mudanças políticas e econômicas, e que novas alternativas para o enfrentamento público da crise sejam criadas.

O alívio, contudo, não será tão duradouro quanto desejaríamos, pois o movimento retrógrado faz com que Saturno retorne a Capricórnio em julho e só saia definitivamente deste signo em 17 de dezembro, perto do solstício de verão. Aí então, poderá fazer a sua tão aguardada conjunção com Júpiter e iniciar seu percurso pelo signo da Nova Era.

Em relação ao Coronavírus, esse movimento de Saturno pode acompanhar o desfilar das estações do ano. Sabemos que as doenças respiratórias costumam se intensificar no inverno, por conta do frio em algumas regiões do Brasil e por conta da seca em outras. É provável, portanto, que essa estação traga novos desafios para todos nós.

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Alergias e problemas respiratórios aumentam com a chegada do inverno. Photo by Jusdevoyage on Unsplash

De qualquer modo, podemos esperar rupturas e problemas com autoridades nesse ano. Modificações nas estruturas sociais e econômicas são outra possibilidade. Para além da óbvia crise econômica que se avizinha, quem sabe não será o fim do cartão-ponto nas empresas, com ampliação do trabalho à distância, de casa, em todas as esferas de atividades?

Febre e falta de ar

Em postagem anterior, sobre a conjunção de Saturno e Plutão em Capricórnio em janeiro, comentei sobre o aumento no número de incêndios que observamos em 2019. A Catedral de Notre Dame, a escola de atletas do Flamengo, as terras australianas, a Floresta Amazônica. Tudo consumido pelo fogo.

A ameaça de guerra nuclear entre Irã e Estados Unidos ficou – felizmente! – apenas na ameaça. Porém, enquanto prestávamos atenção a isso, o Coronavírus se espalhava pela China com velocidade inacreditável e força assustadora. E percebam, os sintomas da doença são febre e falta de ar. Aumento da temperatura, seguido da mesma reação de alguém em um incêndio: sufocamento.

Não há como deixar de relacionar isso aos arquétipos de Marte, o Deus da Guerra, o guerreiro que rege Áries, o primeiro signo do Zodíaco, o fogo primordial dos começos e dos impulsos; e de Plutão, o Deus da Morte, rei dos mortos e senhor do submundo. Percebam que o fogo está envolvido nas operações marciais de qualquer tipo, além de ser um símbolo bastante relacionado ao que a mitologia judaico-cristã denomina como Inferno, isto é, o reino inferior.

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O inferno, provavelmente, também é quente e sufocante. Photo by Samuele Giglio on Unsplash

Podemos pressupor, a partir da descrição acurada de Dante, que os habitantes do inferno estejam sempre com calor e mal consigam respirar. Não à toa, uma das imagens mais associadas ao submundo para onde vão as almas pecadoras depois da morte é a fumaça provocada pela queima do enxofre.

Queimados e sufocados é como ficamos no inferno, portanto. Semelhanças não são meras coincidências, não?

Queimando os seres humanos

Se em 2019 vimos a Terra queimar de variados modos, estamos vendo as pessoas queimarem em 2020 pelo Coronavírus. Negócios se derretem, ruas se esvaziam, pessoas enraivecidas pelo confinamento compulsório, pelo medo, pela inevitabilidade da situação e pela falta de controle da humanidade sobre a natureza agridem umas às outras e compram todo o papel higiênico disponível nos supermercados.

Acredito que esse cenário de filme apocalíptico é mais um indício de que a operação alquímica escolhida nesse processo é a Calcinatio, isto é, a fogueira. Lembrando Greene e Saasportas, o Fogo como forma de transformação emocional traz o simbolismo de que é preciso derreter o metal e transformá-lo em “ouro”.

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Segundo a alquimia, os metais precisam ser combinados e derretidos para gerar ouro. Photo by Sharon McCutcheon on Unsplash

Ou seja, há necessidade de uma frustração do desejo para que as emoções acabem exauridas por si mesmas e se consiga chegar à essência delas. As paixões primitivas – exacerbadas por Plutão! – precisam ser queimadas, derretidas, para que possamos transmutá-las em energia vital de criação.

Para que possamos ver que, sozinhos, isolados, afastados uns dos outros podemos evitar a contaminação, mas também sentiremos a solidão e a falta de calor humano. Calor que, nesse momento, parece ser totalmente esfriado por Saturno…

Novos Valores

O mapa do Ano Novo Astrológico nos indica algumas ferramentas para lidarmos com essas dificuldades, como sempre acontece com as cartas astrológicas. A Lua aquariana, preocupada com a liberdade e com as necessidades do coletivo, faz parceria com Mercúrio em Peixes para indicar que as nossas formas de aprendizagem e comunicação precisam ser mais empáticas, mais sensíveis, mais preocupadas em compartilhar, ao invés de convencer ou enganar.

Arte e cultura estarão enfatizadas nas relações, assim como novas iniciativas de comunicação e de interações, por conta da presença de Netuno e Sol na Casa III. Lilith e Quíron, conjuntos em Áries junto ao Fundo do Céu (IC) também indicam novas possibilidades de cura, possivelmente por meio da energia criativa feminina e de um retorno às nossas origens familiares e naturais. Talvez seja o caso de ouvirmos nossas mães e avós, sabermos de suas dificuldades e termos uma postura coletiva de mais cuidado uns com os outros.

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Por que não aproveitar a sabedoria de quem já viveu mais do que nós? Photo by Rod Long on Unsplash

Urano em Touro na Casa IV indica que pode haver rupturas nas famílias, que haverá desconforto e insegurança no ambiente familiar. A crise econômica que parece inevitável nesse momento pode ser o indicativo desse panorama, além da angústia gerada pelas incertezas e pela possibilidade real de morte.

Haverá, contudo, energia para criar novas opções de sobrevivência, novos meios de nos relacionarmos uns com os outros, talvez até mesmo em um outro patamar de relacionamento com o meio ambiente.

Além disso, Vênus em Touro na Casa V nos diz que é importante ter momentos de diversão, de lazer, de convivência – mesmo que virtual – com amigos e familiares. Mais um ponto que me leva a pensar nas iniciativas que já estão surgindo de festivais artísticos com transmissão pela internet.

Novas formas de divertimento, outras possibilidades de autoexpressão e de criação individual, cuidado mais amoroso com as crianças, mais afetividade nas relações íntimas, todas essas possibilidades fazem parte do cardápio.

Rotinas de vida modificadas?

O mapa de ingresso do Sol em Áries traz ainda o Nodo Norte em Câncer na Casa VI. É tempo de cuidarmos de nossos hábitos e rotinas de vida, de nosso cotidiano com mais amor e afeto. É hora de desenvolvermos mais cuidados com a nossa saúde, de nos nutrirmos – corporal e emocionalmente – de forma mais amorosa.

Quem sabe a obrigação do confinamento também não nos ajude nisso?

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Será que a solidão é sempre tão ruim? Photo by Anthony Tran on Unsplash

Como mostra o mapa, todos os planetas estão abaixo do eixo do ascendente, indicando que as energias talvez não sejam perceptíveis conscientemente para todos nós. Muita coisa está sendo intuída e sentida, mais do que racionalizada. Como geralmente ocorre em movimentos massivos, aliás. Quando vimos, já fomos levados a novas formas de ação praticadas pelos demais.

Se Perséfone desceu ao mundo dos mortos para realizar o seu potencial como rainha, precisamos analisar como essa crise mundial pode nos levar a um estágio de melhorias em nossas sociedades. Do contrário, teremos apenas milhares de vítimas fatais ou econômicas para contabilizar entre os carbonizados.

Interessante destacar ainda que o nome do Coronavírus lhe foi dado por conta de sua aparência em formato de coroa. Um vírus, mortal em determinadas circunstâncias, que carrega em si um símbolo da realeza e do poder, ao qual estamos todos submetidos, mesmo contra nossa vontade.

Um ser vivo tão minúsculo, e tão adaptável, tão diminuto e tão destrutivo, algo que nos passa despercebido, invisível aos olhos – Plutão não é o senhor daquilo que está por baixo de nossos pés, escondido? – e que é capaz de destruir seus hospedeiros evoluídos – será mesmo? –, conscientes, inteligentes, racionais.

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Como enxergar o que se esconde no submundo, sejam vírus, sejam pulsões? Photo by CDC on Unsplash

Homenagem aos anciãos

Como se não bastasse, a palavra “coroa”, em português do Brasil, tem o sentido de pessoa mais velha, investida de autoridade. É um tratamento afetivo em determinadas regiões para se referir ao pai ou à mãe. Justamente aqueles que podem ser mais afetados pelo vírus. Justamente aqueles que representam a autoridade dentro das famílias, os impositores de limites, os responsáveis.

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Respeito aos mais velhos inclui respeito ao processo de envelhecimento em cada um de nós. Photo by Cristian Newman on Unsplash

Ao que parece, Marte, Júpiter e Plutão estão determinados a derreter a autoridade e as estruturas, tanto as sociais quanto as familiares, para que algo novo possa surgir. Saturno, como bem sabemos, não tem pressa em realizar suas mudanças. E sempre demanda disciplina e esforço.

Em janeiro, eu escrevi que não devíamos ter ilusões sobre qualquer facilidade do processo da Calcinatio. Confesso que não achei que pudéssemos viver as cenas que estamos vendo na Itália, com idosos de mais de 80 anos praticamente sendo deixados para morrer por falta de condições de atendimento médico.

E muito menos algumas declarações, diretas ou disfarçadas, de que a pandemia não é tão grave porque são os velhos que morrem em maior quantidade. Ou de que por não pertencerem aos grupos de risco, as pessoas não necessitam cumprir com as regras de isolamento.

Nesses momentos, penso nas comunidades indígenas e nas culturas que reverenciam seus velhos como fontes de sabedoria e memória coletiva e sinto que estamos profundamente equivocados na juvenilização constante que é a tônica das sociedades contemporâneas. Talvez, se eles fossem respeitados, tivéssemos melhor consciência de nossas obrigações coletivas.

Não tenho ilusões, portanto, de que este novo ano astrológico será indolor. Mas continuo acreditando que talvez possamos brotar novamente. Mais solidários, mais conscientes, mais humanos.

 

Referências

GREENE, Liz; SASPORTAS, Howard. A dinâmica do Inconsciente. Seminários sobre Astrologia Psicológica. 10ª ed. São Paulo: Editora Pensamento, 1995.

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