Júpiter e Saturno em Aquário inauguram nova mentalidade: bem-vindos ao Século XXI!

Se tem uma coisa que quase todos nós podemos concordar é que 2020 não foi um ano fácil. Pandemia de Coronavírus, milhões de mortes, isolamento social, instabilidade econômica, polarização política, conflitos armados.

Vigilância digital exacerbada e privacidade hackeada pelos algoritmos das plataformas. Ensino à distância, compras pela internet, encontros virtuais. Sessões deliberativas remotas nos Parlamentos. Máscaras faciais, álcool gel.

2020 exigiu capacidade de adaptação de todos nós, especialmente para a nova vida digital.
Photo by engin akyurt on Unsplash

Não foram poucos os desafios e hábitos modificados. E eles se espalharam pelos cinco continentes. Segundo as pesquisas astrológicas, provavelmente este será o ano mais difícil de todo o Século XXI.  O que pode significar o nosso ingresso de fato no novo século e, quiçá, no novo milênio a partir de agora.

Astrologicamente, já sabíamos que seria um ano complicado há, pelo menos, uma década. Muitos astrólogos já previam a crise que se abateria sobre o planeta entre 2020 e 2022, especialmente a partir das pesquisas de Andre Barbault e Henri Gouchon sobre o Índice Cíclico, que indica a concentração de planetas lentos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) em áreas próximas do céu.

Desde a conjunção de Saturno e Plutão em Capricórnio em janeiro passado, tivemos outras três conjunções de Júpiter e Plutão neste signo. No momento em que escrevo, estamos nos preparando para a última grande conjunção do ano, que traz Júpiter e Saturno em Aquário, em 21 de dezembro.

No mesmo dia do Solstício de Capricórnio, isto é, o ingresso do Sol neste signo. Que marca o início do Verão no Hemisfério Sul e do Inverno no Norte.

Mudança energética

Mas o que significa, exatamente, a conjunção de Júpiter e Saturno em Aquário? E por que os astrólogos consideram esse fenômeno tão importante?

Os dois maiores planetas do Sistema Solar se encontram, exatamente, aos 0°29’10” de Aquário às 15h20 (horário de Brasília) de 21 de dezembro.  Isso significa a consolidação de um novo ciclo de, aproximadamente, 200 anos nos quais Júpiter e Saturno farão conjunções nos signos de Ar: Aquário, Gêmeos e Libra.

É importante lembrar que Júpiter e Saturno fazem conjunção a cada 20 anos, aproximadamente, geralmente em signos diferentes. A cada 200 anos, mais ou menos, eles se encontram em signos do mesmo elemento, levando 800 anos, portanto, para completar uma volta de conjunções em todos os signos do Zodíaco.

Júpiter e Saturno são os dois maiores planetas do nosso Sistema Solar.

Tivemos uma palhinha desse movimento em 1980, quando eles estiveram juntos em Libra. E foi a conjunção deles em Touro no ano 2000 que encerrou a volta pelo elemento Terra, iniciada em 1802.

Uma possível interpretação desse último ciclo (1802-2020) nos leva a constatar a consolidação do sistema capitalista global, baseado na produção e no consumo massivo de mercadorias industrializadas. Desde a década de 80, porém, estamos assistindo à transformação desse sistema econômico, que cada vez menos depende de bens “físicos” para produzir dinheiro.

Aliás, o próprio dinheiro se tornou digital nas últimas décadas, antecipando o movimento que será exacerbado pelo ciclo de Júpiter-Saturno no elemento Ar. E os valores materialistas de acúmulo de bens e capital têm sido duramente questionados pelas novas gerações, mais interessadas em acumular experiências e preservar o meio ambiente de uma catástrofe iminente.

Queda de Roma

Pensando em termos históricos, estamos iniciando o terceiro ciclo de Ar da era cristã. Em 411, Júpiter e Saturno se encontraram aos 4° de Gêmeos. Em 432, a conjunção se realizou em Capricórnio, e encerrou o ciclo de Terra enfatizando os temas do poder político e da realização no mundo. A partir de 452, com o encontro dos dois gigantes em Libra, o ciclo de Ar se consolidou.

Mas o que acontecia no mundo naquela época? Um ano antes da primeira conjunção em Ar daquele ciclo, em 410, a cidade de Roma, capital do Império Romano, foi saqueada pelos visigodos. A partir daí, uma série de batalhas entre os soldados romanos e os demais povos europeus e asiáticos intensificaram a crise do império.

Territórios que pertenciam ao Império Romano por volta do ano 14.

Em 451, uma batalha entre os romanos e os Hunos, chefiados por Átila, quase significou a captura da cidade pelos guerreiros asiáticos e obrigou o Papa Leão I a se encontrar com o líder bárbaro em 452, ano em que Júpiter e Saturno fizeram conjunção em Libra. Átila morreu em 453 e seu império foi dividido entre seus filhos, ruindo alguns anos depois.

Em 471, a conjunção novamente ocorreu em Gêmeos, período em que houve uma intensificação das turbulências políticas e das batalhas militares, culminando na deposição do imperador Romulo Augusto em 476. Esse processo ficou conhecido como a Queda de Roma, significando efetivamente o fim do Império Romano no Ocidente e também marcando o final da Idade Antiga.

Nesse sentido, a Idade Média e o sistema conhecido como Feudalismo começam a se estruturar na Europa a partir daí. Com a descentralização do poder por pequenos reinos espalhados pela Europa, houve uma mudança substancial na mentalidade dos povos na região, com o fortalecimento do Catolicismo e o controle informacional e político pela Igreja Católica.

“Alegoria do Bom Governo” (1337-1340) é um afresco pintado por Ambrogio Lorenzetti no Palazzo Pubblico de Siena, Sala dei Nove.

Parlamentos e Universidades

Uma conjunção semelhante a que teremos nos próximos dias realizou-se, pela última vez, em 1226. Naquele ano, Júpiter e Saturno estiveram juntos aos 2°56 de Aquário, depois de se terem encontrado em Touro, em 1206, e em Libra, em 1186. Aquela conjunção, assim como a que vamos vivenciar, iniciou um período de quase 200 anos dos encontros planetários em signos de Ar.

Não acho que seja uma coincidência o questionamento que duas instituições sociais criadas no período daquela conjunção, durante a Idade Média, estejam sofrendo contemporaneamente. Parlamentos e Universidades, nos moldes como os conhecemos hoje, foram estruturados a partir dos experimentos realizados entre os séculos XI e XII, especialmente na Europa. E ambos estão passando por uma profunda reestruturação, especialmente com a pandemia de Covid.

É importante destacar que tanto os parlamentos quanto as universidades são os lugares sociais, por excelência, do debate e da circulação de informações nas sociedades modernas e contemporâneas. Lugares da diversidade, onde o conflito é resolvido pela negociação, pela colaboração e pela troca de ideias, aspectos tão caros ao elemento Ar.

Apesar do primeiro Parlamento ter sido estabelecido no ano 930 na Islândia, foi somente a partir da estruturação do Parlamento Inglês, entre os anos de 1236 e 1295, que essa instituição passou a servir de modelo político para conter os poderes absolutistas dos monarcas. Ainda hoje, o parlamento britânico é considerado um dos mais influentes do mundo ocidental, sendo um modelo de organização seguido em vários países.

O Palácio de Westminster, onde ficam as Casas do Parlamento Britânico e o relógio Big Ben, em Londres

Em relação às universidades, o processo é bastante similar em termos cronológicos. A primeira delas, Universidade Al-Azhar, foi criada no Egito em 970. Depois disso, Bolonha (1088) e Oxford (1096) surgiram, seguidas por instituições de ensino em Salamanca (1134), Paris (1160), Cambridge (1209), Pádua (1222), Nápoles (1224), Siena (1240) e Coimbra (1290).

Percebam os leitores que cinco das mais antigas universidades foram criadas dentro do ciclo de conjunções de Júpiter e Saturno em signos de Ar. Portanto, ainda que algumas delas tenham surgido no período das conjunções em Terra, sua expansão e organização como centros disseminadores de novas ideias foram estabelecidos no Século XII.

Mudança de mentalidade

Interessante ainda lembrar que o final do ciclo de Júpiter e Saturno nos signos de Ar em 1425 – naquele ano eles se encontraram em Escorpião – coincide com o início do movimento artístico, científico e ideológico que, mais tarde, seria denominado como Renascimento.

A passagem dos grandes educadores do Zodíaco pelos signos de Ar, portanto, sempre abre a possibilidade de mudanças sociais, econômicas e políticas. Se elas trarão um salto civilizatório, como no Renascimento, ou um período de enclausuramento e descentralização do poder, como no Feudalismo, depende de quais processos estão sendo encerrados no período.

Leonardo da Vinci é considerado um dos maiores gênios da Humanidade, e representante do Renascimento enquanto movimento artístico, cultural e científico.

Seria, então, o ciclo que estamos prestes a viver coletivamente uma nova oportunidade de desenvolvimento do potencial humano? Muito provavelmente. Obviamente, as sociedades humanas que vivenciaram os dois últimos ciclo dos planetas em Ar tiveram que conviver com batalhas sangrentas, instabilidade política, invasões bárbaras, Cruzadas, Peste Negra (1346-1353), fome, e com uma série de tensões que as transformaram profundamente.

O mais intrigante é que, ao olharmos para o início do último ciclo, 794 anos atrás, percebemos que ali se iniciou, verdadeiramente, uma mudança de mentalidade que influenciou todas as áreas da vida humana. E culminou no desenvolvimento científico que permitiu as Grandes Navegações, os processos coloniais e a Revolução Industrial, base da atual globalização.

Processos colaborativos

Nesse sentido, não devemos esperar tranquilidade e suavidade no processo. É bastante razoável que haja muitos conflitos e embates, especialmente entre aqueles que se beneficiam das atuais estruturas políticas e econômicas e, portanto, não desejam as mudanças que estão por vir, e aqueles que já vislumbram as novas possibilidades de futuro.

Até porque Urano, um dos regentes de Aquário juntamente com Saturno, está em Touro, desestabilizando tudo o que consideramos sólido e estável. No mapa da conjunção, aliás. percebemos que há uma quadratura se formando com Urano, em perfeita conjunção com Lilith em Touro.

Revoltas e convulsões sociais, instabilidade política, protestos e rebeliões contra as autoridades estabelecidas são fortes possibilidades para o próximo ano, quando Júpiter ainda permanece em Aquário. Muito provavelmente, haverá também um corte etário nessas manifestações, uma vez que há uma batalha de tudo o que é inovador contra o que é considerado ultrapassado.

Aquário é um signo que nos remete ao coletivo – em contraposição a Leão – e aos processos sociais. Pode significar os valores da fraternidade, da igualdade e da liberdade, especialmente voltados para os grupos dos quais fazemos parte. Mas também nos fala da tecnologia e das descobertas por meio do intelecto e da razão, da originalidade e da invenção, da excentricidade e da falta de adaptação aos padrões de comportamento considerados hegemônicos.

Colaboração, negociação e trabalho em equipe podem ser a chave para desvendar a energia de Júpiter e Saturno em Aquário. Photo by Josh Calabrese on Unsplash

Assim, podemos imaginar que, paradoxalmente, processos cooperativos, colaborativos e novas formas de sociabilidade, especialmente digitais, possam ser desenvolvidos nos próximos 20 anos. A quebra de antigos paradigmas – científicos, políticos, econômicos, religiosos, sociais – começa com a busca por diversidade e a aceitação das diferenças sociais.

Futurismo ou tradicionalismo?

A preocupação com o meio ambiente – tão enfatizada no último ciclo em Touro – será aprofundada, uma vez que a água já está se tornando uma riqueza estratégica internacionalmente. Assim como a busca por soluções coletivas para os problemas que nos afligem enquanto Humanidade: pandemias, aquecimento global, desigualdade social, etc.

A quadratura com Urano e Lilith também indica que sentimentos como insegurança e desapego podem ser exigidos no período. Abrir mão da própria zona de conforto e lançar-se em novos desafios pode ser uma estratégia de cooperação com a energia.

Júpiter em Aquário aponta para a abertura de novos caminhos, expectativas e possibilidades, especialmente nos campos científicos, tecnológicos e filosóficos que lidam com a mente humana, com a exploração do Universo e com a integração do homem ao planeta de uma forma mais sustentável.

Para os mais otimistas, o novo mundo parece infinito em suas descobertas. Sistemas de inteligência artificial podem levar a novas práticas cotidianas de aprendizagem e comunicação. O pragmatismo aquariano simbolizado por seu regente Saturno pode ainda levar à concretização e consolidação de estratégias coletivas para alcançar esse futuro que se desenha e romper as barreiras que, atualmente, impedem esse movimento.

A materialização de novas formas de convivência e relações sociais podem ser alcançadas a partir do trabalho coletivo. Porém, o perigo da combinação entre Júpiter e Saturno reside no dogmatismo, no excessivo idealismo dos líderes, na necessidade de controle dos movimentos coletivos, especialmente aqueles que buscam a ruptura com a antiga ordem, e na nostalgia dos “velhos tempos” pelas elites.

Para alguns, mais conectados com as energias saturninas ou capricornianas, pode haver muito desconforto no rompimento de um pensamento tradicional. Nesse sentido, eles podem se sentir excluídos da mentalidade que abre espaço para a originalidade e diversidade, especialmente se forem excessivamente conservadores e ligados ao passado.

Inteligência e Vigilância

Vigilância digital, invasão de privacidade, criptomoedas, controle de informações pelos algoritmos dos aplicativos, inteligência artificial, isolamento social são situações que podem se intensificar com a maior disseminação da internet e das mídias sociais. A pandemia de Covid nos trouxe um vislumbre – a la Black Mirror – destes problemas.

Sistemas de segurança e vigilância digitais estão se tornando o Big Brother real de que falava Orwell. Photo by Paweł Czerwiński on Unsplash

Sob muitos aspectos, estamos presenciando, experimentando, vivendo o embate entre as antigas estruturas, desenvolvidas nos últimos 800 anos, e a promessa de novas possibilidades. Ao mesmo tempo, portanto, podemos testemunhar processos libertários de disseminação de informações e circulação de ideias e pessoas, e atividades que limitam esse movimento.

De um ponto de vista pessoal, pode ser útil aproveitar a energia para refletir sobre nossas limitações e possibilidades de crescimento, em diferentes áreas da vida. Que mundo queremos construir? Como queremos viver na próxima década? Onde queremos estar em 20 anos? Aceitamos a diversidade que o coletivo traz ou tememos as mudanças que são inevitáveis?

Nossa postura sobre esses aspectos pode nos ajudar a definir um local intermediário entre os futuristas, excêntricos, rebeldes e não convencionais; e os tradicionalistas, nostálgicos ou temerosos da inovação.

Basta lembrar que a Lua em Peixes e Quiron em Áries, ambos na Casa XI em sextil com a conjunção, nos permitem a conexão ao todo e ao coletivo por meio de iniciativas inovadoras. Sonhar com um mundo novo, e batalhar para realizá-lo, pode nos trazer a cura para antigos medos e sofrimentos.

O Coronavírus é um desafio enorme para indivíduos e governos, mas também pode ser uma oportunidade para reavaliar a própria vida e os sistemas políticos que temos.
Photo by Fusion Medical Animation on Unsplash

Vênus em Sagitário na Casa VII, por sua vez, nos ensina a ter fé e confiança em nossas parcerias. Afinal, os grandes objetivos que traçamos para nossa vida podem ser alcançados se estivermos dispostos a viver as aventuras que o caminho proporciona.

É a nossa perspectiva interna que pode tornar os processos de mudança interessantes e valiosos, ainda que permaneçam desafiadores e desconfortáveis na maior parte das vezes.

Creio que vale a pena tentar.

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